Um Som

Arnaldo Antunes

Composição: Arnaldo Antunes / Paulo Tatit

é só
um som
do fim do mundo vem
até o fim de mim
aqui
assim
do fundo de um vulcão
a voz
carvão
o ar em convulsão

é só
um som
a dor de ser alguém
de longe longe vem
maré
trovão
de além de além de além
até
aqui
na voz de quem também
é só
um som
no meio da multidão

Eu falei ! Blog é uma catarse auto-mutiladora. Não sem gozos, é claro. Aliás, há uma beleza nesse sado-masoquismo virtual que é deixar suas idéias soltas na órbita terrestre, mesmo que muitos as chamem de lixo espacial. Penso às vezes em meu narcisismo de pensar fazer parar algum par de olhos ,nalgum canto recôndito do universo, para ler essas palavras escritas numa língua que só uns poucos países entendem. Ao mesmo tempo, temo que algum louco me interprete mal e me persiga até o golpe fatal que faria desse blog apenas resquícios de minha passagem nessa esfera azulada . Portanto, não me levem a sério, ó almas penadas que me rodeiam !

O cheiro do ralo

Que se perde em ser louco ? Não ter a certeza, não ver em linha reta. Que se perde em  confundir-se com o vento ?  Ouvir-se a si próprio comentando seus pensamentos. Pensar concreto. Sonho vívido. Não mais realidade , só delírio te perturba. Não mais realidade, nunca mais.

Quimeras

 

Queria ter sido um compositor. Queria ter inventado algo útil como um abridor de latas. Queria ter descoberto uma planta antidepressiva de sabor inigualável. Queria ter salvo uma princesa da boca de um dragão sulfuroso. Queria ter caminhado sobre as ondas, achado ilhas desabitadas com seus répteis disformes. Queria poder professar idéias gigantescas, ou profetizar quantos apocalipses sejam possíveis. Queria ser o ilusionista de um reino distante. Mas mal consigo mostrar como se dança um baião...

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